Frente Parlamentar do Cooperativismo debate em Criciúma alternativas para a crise na rizicultura

Alesc e produtores buscam soluções para prejuízo no arroz em SC; propostas incluem zerar ICMS interestadual e restringir a entrada de produto importado.

Por Redação-
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FOTO: Rodrigo Corrêa/Agência AL

A Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop), coordenada pelo deputado José Milton Scheffer (PP), promoveu na noite desta quinta-feira (12), em Criciúma, um debate sobre as alternativas para a crise enfrentada pela rizicultura em Santa Catarina.

O evento aconteceu na sede da Associação Empresarial de Criciúma (Acic) e contou com a presença de produtores rurais, representantes de cooperativas e da indústria.

Impacto Econômico e Causas da Crise
Na ocasião, Scheffer destacou que o setor arrozeiro — que no estado registra faturamento anual de R$ 4,4 bilhões, abrangendo 52 estabelecimentos ativos e mais de 3 mil trabalhadores — enfrenta uma das mais graves crises dos últimos anos.

Entre as principais causas estão o aumento contínuo dos custos de produção, o endividamento dos agricultores e a superoferta do produto no mercado, sobretudo por causa da concorrência com o produto importado. O cenário pode resultar em redução de área plantada e fechamento de unidades de beneficiamento.

Déficit na Lavoura e Prejuízo Social
“Hoje, o produtor vende a saca de arroz por cerca de 50 reais, enquanto o custo de produção passa de 75. Isso significa prejuízo na lavoura, insegurança para as famílias e um alerta para toda a economia dos municípios produtores”, afirmou Scheffer.

Quando essa diferença se repete em milhões de sacas, o impacto é enorme. Segundo o deputado, estima-se até R$ 500 milhões em perdas que deixam de circular no comércio, nas cooperativas e na indústria catarinense.

Relatos do Setor Produtivo e Industrial
Para o agricultor Rui Geraldino Fernandes, o momento é um dos mais difíceis em 13 anos de atuação: “A situação está complicada, porque hoje a gente está pagando para trabalhar. Queremos trabalhar com lucro, mas hoje está inviável”.

O presidente do SindArroz, Walmir Rampinelli, demonstrou temor pelo agravamento do quadro em 2026. Ele ressaltou que, embora as indústrias mantenham os empregos, o faturamento caiu pela metade enquanto os custos operacionais permaneceram elevados.

Demandas por Apoio Governamental
O presidente da Ocesc, Vanir Zanatta, pediu medidas urgentes do governo federal para elevar o preço ao menos ao custo de produção de R$ 70. Entre as medidas solicitadas pela categoria está a ampliação do crédito presumido para 100% da alíquota do ICMS.

Isso zeraria o imposto nas saídas interestaduais. Como contrapartida, indústrias e cooperativas pagariam ao produtor ao menos 90% do preço mínimo por saca. A proposta depende de convênio no Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz).

Revisão de Importações e Merenda Escolar
Outra demanda é a revisão dos benefícios fiscais concedidos às importações no estado, visando restringir a entrada de arroz estrangeiro. Também foram levantadas opções como acesso a linhas de financiamento e valorização do arroz catarinense na merenda escolar.

Scheffer informou que o governador já se comprometeu a analisar alternativas. “O grande desafio é garantir que o produtor continue no campo e que SC preserve uma atividade estratégica para a segurança alimentar do país”, concluiu.

Com informações do repórter Paulo Mueller, da TVAL